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luto ⠀ ⠀ ⠀

22 de out. de 2019
1 min de leitura

quando

eu demolir

esta casa ⠀ ⠀ ⠀

⠀

vou

aonde

raios de sol

me façam

franzir

os olhos ⠀

como

que

cerzindo

luz ⠀ ⠀

⠀

neste

cemitério

minha

memória

enterra

almas

(de)

penadas ⠀ ⠀

⠀

relembro

campos

e ventres

vazios ⠀ ⠀

⠀

despenco

em

barrancos

fustigados

por

sombras

:remorsos

cansaços ⠀

⠀

quando

eu demolir

esta casa ⠀

⠀

quero ir

aonde haja

terra e pés

no chão ⠀ ⠀

⠀

mesmo

com

folhas

gravetos

e

seixos

fincando

as solas ⠀ ⠀

⠀

quando

eu demolir

esta casa ⠀

⠀

e tudo

estiver

abaixo ⠀

pedriscos

aliviarão

a

cronicidade

daquilo

que

me faz

penar ⠀ ⠀

⠀

a dor

traz

presença

: minha

e dos

meus

mortos ⠀ ⠀

⠀

todos ⠀

⠀

poesia de Laura Abreu I 2019




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