impotência

Atualizado: Set 26

Muros altos, a linha de tiro,

portões, trancas e grades.

O dia de visita acorda cedo.

No colo a criança gerada na impotência

do encontro improvisado.

Mães de longe vêm carregando embrulhos,

sacas pesadas de pesar.

As paredes são tristes, cinzas, frias como o sistema.

O que nos faz ser desse mundo?

As tímidas flores na entrada quem sabe

sejam reminiscências de alguém que tenha talvez

entendido a alma dos homens, com seus desvios,

que vêm e vão.

Somos todos vítimas?

O dia passa, a impotência aumenta.

Nada a fazer. Resta esperar.

O que preserva essa vida?

Um detento é morto. Seu coração arrancado.

Assim se cumpre a lei do presídio.

Não há sentido!

Finca no preso a sirene: é hora do adeus.

Não há deus!

O mundo de dentro e fora prepara a noite,

acalenta o crime.

E as mães vão embora com seus ventres vazios.

Derrotadas.

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© 2018 por Laura Abreu